Características

Com uma paisagem diversificada onde pequenos vales férteis pontuam por entre majestosas formações graníticas a freguesia da Beirã é limitada a norte pelas encostas xistosas que ladeiam o Rio Sever. Nos planaltos sobranceiros ao rio abrem-se amplos campos de cultivo intervalados por manchas de azinho, sobro e olivais. É nesta diversidade de solos que uma economia agrícola mista permitiu a sobrevivência de pequenos casais que convivem com as duas centenárias herdades debruçadas sobre as terras de Espanha. Por entre as formações graníticas, aqui e além, pequenos rebanhos de cabras trazem à memória o nomadismo dos pastores de outros tempos. A pesca do barbo e da boga nos pegos do Sever, e a perdiz, o coelho e a lebre caçados por entre campos de giesta e pedra completavam a economia das gentes da freguesia da Beirã. Quando nos finais do século XIX a tranquilidade destes campos é interrompida pela modernidade do comboio assiste-se a uma trepidante mudança da estrutura económica e das tradições. O ambiente rural moderniza-se e o sector terciário emerge à volta da arquitectónica estação dos caminhos-de-ferro. Estabelecidas as acessibilidades nasce o centro termal da Fadagosa, mecaniza-se a agricultura e pequenas indústrias transformadores aproveitam os recursos que a terra oferece. O azeite e o pimentão produzem-se na Herdade do Pereiro e o queijo e a manteiga no Penedo da Rainha, mas será no sector dos serviços que esta freguesia se estrutura e organiza em torno da estação fronteiriça da Beirã. Cento e vinte anos depois do nascimento da sede de freguesia, com a abolição das fronteiras e a agonia do Ramal de Cáceres, a Beirã prepara-se para novos desafios onde a paisagem, o património e os recursos naturais terão um papel determinante.

Localização

Beirã é uma freguesia do concelho de Marvão, com 44,79 km² de área e 498 habitantes (census 2011). A sua densidade populacional é de 11,1 hab/km². A freguesia da Beirã tem uma estação de comboios (Marvão-Beirã) que se encontra desativadae servia a sede de concelho, Marvão.

História

Origens da Beirã As origens da Beirã, em 1837 como primeira referência chama-se apenas sítio, existiam apenas quatro casinholas, que tinham por objectivo servir de resguardo temporário aos trabalhadores agrícolas.

A Freguesia da Beirã tinha uma grande diversidade de solos e água em abundância. As férteis terras desta freguesia eram então exploradas até a exaustão pelas melhores casas agrícolas romanas instaladas na Freguesia da Beirã.

Com o fim do Império Romano, a Freguesia da Beirã assiste a uma nova reorganização social e económica.

O episódio mais marcante da nossa freguesia ocorre no ano de 1878, quando se iniciam as obras de construção de um novo troço de linha-férrea.


Rapidamente o sitio chamado Beirã, passa de 4 casinholas para mais de quarenta casas habitáveis e todas abarrotando de moradores, duas escolas, vários comércios, teatro e até uma sociedade de recreio familiar.

Com a chegada do comboio á Beirã, chega também a estação, e com ela vieram a alfandega, os despachantes, a guarda-fiscal, a PIDE e a família Vivas.

Também esta marcou de forma indelével a economia e a sociabilidade desta aldeia. A ela se ficou a dever a construção da igreja de invocação de Nossa Senhora do Carmo, benzida em 16 de Julho de 1944. Data em que ainda hoje ocorrem as festas de verão e religiosa da nossa freguesia, ou seja, no dia 16 de Julho.

No dia 24 de Junho de 1944, é criada uma nova freguesia, que será desanexada da freguesia de Santo António das Areias, e que terá a designação de Beirã.

As referidas razões que levaram ao nascimento desta freguesia, passo a citar “Povoação fronteiriça, constituindo um importante centro ferroviário e aduaneiro, tem progredido notavelmente, aumentando a sua população de tal forma que esse facto por si só poderia justificar a desejada autonomia administrativa.

Acresce também o desenvolvimento comercial e agrícola da povoação, razões de ordem espiritual e de cultura, uma igreja, duas escolas, de três postos de ensino, sociedade de recreio e desportivas, assistência médica permanente, posto de registo civil, etc...”

No dia 24 de Julho de 2004, em cerimónia pública, foram apresentados os símbolos heráldicos da freguesia da Beirã. Três elementos gráficos pretendem definir três momentos marcantes na vida desta freguesia: uma anta, uma locomotiva e uma fonte.

Heráldica

 

Anta

Em chefe, uma anta de prata.

Representa a antiguidade do povoamento local, os vestígios arqueológicos existentes na àrea da freguesia e uma das colectividades aqui existentes que muito tem contribuído para a promoção e desenvolvimento local, tentando assim evitar a desertificação da freguesia: a Anta - Associação Cultural e de Desenvolvimento da Beirã 

Heráldica Anta

Locomotiva

Locomotiva de ouro realçada de negro.

Representa a contrução do rama de Torre das Várgens a Cáceres, situando-se nesta freguesia a última estação de caminho de ferro desse ramal, ante da fronteira luso-espanhola. 

Locomotiva

Fonte Heráldica

Em campanha, fonte heráldica de prata e azul.

Representa o estabelecimento termal da Fadagosa que contribuiu bastante para o progresso e desenvolvimento de Beirã.

Fonte